Patroa pede perdão à mãe de menino que caiu de prédio

Polícia

 Sarí Corte Real é investigada por homicídio culposo.

 A primeira-dama do município de Tamandaré (PE), Sarí Corte Real, divulgou uma carta na sexta-feira, dia 05/06, pedindo desculpas à mãe de Miguel Otávio Santana, menino de cinco anos que morreu após cair do nono andar de um prédio, em condomínio no bairro de São José, na capital pernambucana, na última terça-feira, dia 02/06. Sou absolutamente solidária ao seu sofrimento... Te peço perdão...

 A mãe do garoto, Mirtes Renata, é empregada doméstica de Sari. Ela havia saído para passear com o cachorro da patroa e deixou a criança aos cuidados de Sari. O menino, porém, pegou o elevador sozinho e caiu do edifício. A Polícia Civil investiga a primeira-dama por homicídio culposo.

 A carta foi divulgada pelo advogado de Sarí e enviada à imprensa pela assessoria de comunicação de Tamandaré, cidade a cerca de 109 km do Recife. O uso da máquina pública para fins pessoais também começa a ganhar destaque no caso e o prefeito, Sério Hacker, pode responder por crime de responsabilidade. Na carta, Sarí afirma que não imaginava que nenhum mal pudesse acontecer com Miguel. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida.

 A empregada doméstica Mirtes Renata de Souza, mãe do garoto, está cadastrada no Portal de Transparência de Tamandaré, desde 1.º de fevereiro de 2017, como servidora pública da prefeitura. Consta que a funcionária exercia cargo comissionado, sem carga horária específica de gerente de divisão, locada na Manutenção das Atividades de Administração da cidade. O pagamento seria equivalente a um salário mínimo. Mirtes disse que não sabia do cargo e trabalhava apenas na casa dos patrões, segundo o Portal UOL.

 O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco informou ontem que vai instaurar auditoria especial. Após a fiscalização, constatada a veracidade dos fatos, o gestor poderá ser implicado em crime de responsabilidade e infração político-administrativa, afirma em nota. O TCE explicou que o prefeito e possíveis pessoas implicadas devem ressarcir os cofres públicos, caso se confirme a ilegalidade no pagamento.

 O presidente da seção pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Bruno Baptista, solicitou também que a Comissão de Direitos Humanos da entidade acompanhe o caso. O objetivo é que o inquérito apure todas as linhas de investigação, afirmou ele.


(Fonte: Estadão)

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